quarta-feira, 20 de julho de 2016

Dos Tipos de Amor - A partir do Racionalismo

Boa parte dos problemas do ser humano reside no fato de seu ciclo eterno de desejar-descontentar-se-e-desejar-algo-novo e no fato dele não saber medir o real valor das pessoas ou coisas, colocando a si ou outrem ora em situação muito inferior, ora muito superior, sua balança nunca é justa.

No amor, mais do que em qualquer outra situação o homem revela com nitidez estrondosa sua estupidez. A primeira coisa que a pessoas deveriam saber é que o amor não é nada daquilo que elas acreditam, ele não passa de interações físico-químicas no cérebro, logo um processo natural (físico), não é predestinação, sorte, Deus, milagre nem nada disso. As coisas não acontecem porque teriam de acontecer, mas porque você quis aquilo e foi atrás, você fez com que as coisas acontecessem.

Sendo físico pode ser controlado, o problema é que o homem perdeu o limite – e o controle – de si. Não é tarefa fácil, principalmente porque queremos sentir e não pensar, nisso reside a porta de entrada para um carro desgovernado e sua estrada é projetada por cada um de nós. O importante até aqui, então, é que as pessoas saibam o que é o amor e como lidar/reagir com ele.

Outra coisa importante é analisar as diversas formas de amor, geralmente o romantizamos, idealizamos: outro erro. Somos contaminados com estas histórias bonitas que vemos em filmes, novelas, livros etc e as vezes deixamos de lutar, às vezes apenas esperamos, às vezes nos cegamos querendo acreditar em algo. A vida não vai ser bonita, nem fácil, muito menos perfeita, então se quer algo corra atrás! E, claro, tudo deve ser analisado, o impulso é um pecado contra o futuro.

Quando anos apaixonamos por alguém ficamos bobos, avoados, sempre imaginando, sonhando, esperando, idealizando momentos, fazemos planos para um futuro distante. Isto tudo é ilusão, auto-engano, não amor.

Quando queremos ter alguém ao nosso lado, mas não necessariamente estamos apaixonados por alguém específico, buscamos ora por forma, ora por conteúdo, ora por ambos. Geralmente julgamos "o livro pela capa", isso não é amor, não é querer amor, isto é tesão, excitação, vontade de sexo, ou de se mostrar aos demais, pelo fato de ter alguém belo contigo, é querer se mostrar e ser comentado.

Estamos expostos o tempo todo a padrões de beleza e é como uma necessidade fazer parte: ser magro, usar a roupa da moda, ter o cabelo liso, há coisas que você pode e não usar, como se comportar, onde frequentar, com quem andar e se relacionar, o que estudar. Para tudo há um padrão de bom ou ruim, um quadro bem preto e branco.

Quando o interno é o que conta a história muda, mas ainda há a necessidade de se livrar das marras ilusórias do amor, sem ilusão, sem enganos, sem ficar “viajando no mundo da Lua” e criando fantasias. Os relacionamentos seriam mais felizes e saudáveis se fossem antes de sentidos, pensados. Relacionamentos deveriam ser criados de acordo com gostos, preferências, ideias, compatibilidade e, principalmente, destino. Destino no sentido de ir para o mesmo lugar, de ter os mesmos objetivos enquanto casal, e como pessoas eles devem estar alinhados.

Dos sentimentos o amor é o último que deve ser levado em consideração, ele já foi muito contaminado. Antes dele há outros mais importantes para um bom relacionamento: Todo relacionamento deveria ter como sentimento principal o respeito pela pessoa que está com você, em seguida a amizade, depois carinho, fidelidade, afetividade e confiança, e depois destes excitação, interesse/destino, paciência, cooperação e criatividade. Os ingredientes são estes, mas não há uma receita exata a ser seguida, o relacionamento pode ser feito a partir de diversas combinações destes sentimentos. Como resultado disso temos, dentre outros, felicidade, prazer, surpresa, entusiasmo...

Na vida como um todo, além das emoções acima é importante sermos honestos, corajosos, éticos.  Todo relacionamento e todo amor deve ter como limites os valores acima, sem ilusões e sonhos (sinônimo de ilusão somado à esperança e desejo – o ideal são objetivos). O amor do ponto de vista lógico/racional trabalha com o que temos e podemos ter, trabalha com o óbvio e com sinceridade. Só é válido aquilo que pode vir-a-ser, aquilo concebido pela razão.

Amor como Storge(1*): estilo de relacionamento que preza a confiança mútua, o entrosamento e os projetos compartilhados. Amor também como Pragma (do grego “negócio”, prático”): prioriza o lado prático das coisas. O indivíduo avalia todas as possíveis implicações antes de Embarcar num romance. Se o namoro aparente tiver futuro, ele investe. Se não desiste. Cultiva uma lista de pré-requisitoss para o parceiro ideal e pondera muito antes de se comprometer. Amor como Eros: que se liga de forma mais clara à atração física, e frequentemente compele as pessoas a manterem um relacionamento amoroso continuado. Sinônimo de sensibilidade que leva a atração física e às relações sexuais.

Em síntese, antes de sentir qualquer coisa pense a respeito, é com a razão que chegamos mais longe, pois nos livramos de todos os erros da imprecisão dos sentidos. Quando finalmente tiver ponderado o suficiente para poder fazer alguma afirmação com certeza, daí sim pode começar a sentir, mas dentro dos limites da razão. A imaginação é ótima se bem cultivada, deixe as ilusões e fantasias infantis de lado, vá atrás daquilo que é o melhor pra você. Ame, com razão!


1*: Conceitos de amor retirados de Wikipedia.

Dos Tipos de Amor - O Amor Precisa ser Sentido!

Existem algumas situações ou pessoas que fazem com que você repense uma série de coisas a seu respeito: naquilo que você acredita, ou acha que acredita, no que diz e no que faz, situações que desmoronam seu castelo e fazem você construir tijolo-a-tijolo uma nova fortaleza.

Se fosse fácil manter os sentimentos no limite da razão certamente não sofreríamos mais depois de certa idade, com certa experiência de vida, mas não é o que acontece. Quando racionalizamos demais tendemos a agir somente no que temos certeza, e isto exclui mais da metade das situações que poderiam ocorrer em nossas vidas, e grande parte delas está ligada ao fator felicidade, em como ter um relacionamento, se divertir, fazer alguma coisa que deu vontade sem saber ao certo o que é ou como fazer, fazer alguma coisa diferente, não fazer nada.

Muitas pessoas escondem em sua racionalidade seus sentimentos, no fundo seu medo de sofrer. Ninguém quer sofrer, ninguém quer sentir tristeza, angústia, frustração, medo, inveja, ódio etc.

Mas isso faz parte da vida, a vida não será um mar de rosas, mas não é fugindo das situações que se será feliz. Se o medo for apenas guardado dentro de nós, um dia implodiremos e poderá ser tarde demais. Faz parte da natureza do ser humano sentir. E sentir medo e tristeza também.

Claro, temos que saber sentir, no sentido de que existem coisas que sabemos que é errado fazer, coisas que com certeza nos fará mal, e que podemos não fazer. Mas não devemos em nenhuma circunstância deixar de sentir, ter medo de sentir com medo da frustração e da tristeza.

Toda experiência, boa ou ruim, serve para aprendermos algo, para nos deixar mais forte, mais preparados para acontecimentos futuros. Mas de forma alguma, aprenderemos com certeza o que fazer em todas as situações, a vida não é tão simples quanto um videogame que assim que descobrimos o que fazer em determinado momento não perdemos mais naquela fase, e assim continuamos até salvar o jogo.

Na vida ganhamos e perdemos o tempo todo. Se for para amar, ame, ame sem se limitar. A racionalidade serve como freio. Você nunca vai sentir o máximo das coisas se limitando. Toda grande conquista, acredita Nietzsche, é alcançada somente com grande esforço. Toda sofrimento pode ser transfigurado em algo positivo, um acúmulo de força, o que muda é a forma com que lidamos com estas situações.

Não devemos choramingar, resmungar, definhar com o sofrimento, mas nos recriar, se algo deu errado, pode ser mudado, tudo pode ser feito de outra forma, as coisas não são só em preto-e-branco, há sempre algo a mais, basta usarmos a criatividade, basta termos força e coragem para prosseguir, basta queremos fazer diferente, basta fazermos do sofrimento uma força motriz que transmuta dor em criação. Temos de encarar os fatos. Renato Russo dizia que

Tudo é dor e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor.

E por ficarmos com medo das coisas, que grande parte delas dão errado, pois nos limitamos quando não devíamos, não avançamos quando deveríamos caminhar, a vida passa em nossa frente, e sofreremos por isso. Como afirmou Nietzsche em certa ocasião:

Da escola de guerra da vida: o que não me mata, torna-me mais forte.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Fazia muito tempo que uma companhia não me fazia tão bem como você me fez...

Fazia muito tempo que uma companhia não me fazia tão bem como você me fez esse fim de semana...

Não foi porque o role estava desanimado, nem nada... Na verdade fico feliz que estava assim, isso fez com que ficássemos mais próximos. Nos deu alguns momentos a sós para conversarmos. E fazia tempo que não conversávamos assim.

Lembrava a todo momento daquele tempo em que ficamos, eu estava tão perdido e achava que tivesse te magoado, não aguentei e te perguntei e fiquei tranquilo ao saber que você não guarda nenhuma mágoa, que não dei nenhuma mancada com você.

E quanto tempo tivemos a sós? Quanto conversamos? Quanto aprendemos sobre nós mesmos? Quanto conhecemos mais a fundo um ao outro?

Sinceramente, falei para você coisas que nunca falei para mais ninguém... E não foi só porque você me contou coisas sobre a sua vida também, mas porque senti confiança em você, me senti bem com você, tranquilo. Sabia que poderia te contar, que você ouviria, entenderia, que poderíamos dar nossas opiniões, sem julgamentos ou culpas.

E quantas vezes não me perdi olhando teus lábios e desejando me perder neles. Também tive medo de dar um passo a mais e perdermos aquele momento. Acho que quando vamos ficando velhos, ficamos mais receosos de tomarmos alguma atitude e acabarmos estragando alguma coisa: um momento, uma amizade. E pode ser também que não estejamos nesse momento, estamos procurando uma paz diferente, a solidão nos completa neste momento. Estamos cansados de sofrer...

E sabe que até aquele filme que você já assistiu centenas de vezes e assistiu comigo me fez pensar muito em minha vida e veio em boa hora: aquela história, aqueles questionamentos.

Até me perder na estrada dessa vez foi boa, mesmo que estivéssemos no cagaço, porque não tinha nada perto e parecia que a estrada não daria em lugar nenhum...

E mais uma vez, as vezes uma boa companhia faz de qualquer momento um momento incrível que sempre guardaremos no coração. As vezes podemos contar para alguém e ninguém vai entender como algumas coisas banais possam significar tanto... Só quem sentiu sabe a importância daqueles momentos. Só quem viveu aquele momento sabe como aquilo ficou tão fortemente marcado em nossos corações.